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BERLIM - o belo e o feio (Palácio x Campo de Concentração)

O terceiro dia de nossa visita à Berlim foi um dia de contrastes, pois começamos passeando pelo belíssimo Palácio Charlottenburg (o belo!)  e em seguida fomos conhecer o sombrio Campo de Concentração Sachsenhausen (o feio!),  numa pequena cidade vizinha chamada Oranienburg (35Km de Berlim). Foi assim que neste dia vimos o que há de mais belo na cidade, e também os resquícios do que já houve de mais feio (para dizer o mínimo) por lá...

         A rua que leva até o Palácio Charlottenburg (ao fundo) 

Para chegar até o Palácio Charlottenburg paramos no ponto de metrô mais próximo (Sophie-Charlotte-Platz) e seguimos pela linda e arborizada Avenida Schlosstrasse (ACIMA), que significa "rua do Castelo" e que termina bem de frente para o Charlottenburg. Originalmente, este Castelo/Palácio foi residência do Rei da Prússia Frederico o Grande e sua esposa Sophie Charlotte.






Não é permitido fotografar dentro do Palácio, que hoje funciona como museu e mantém vários salões originais da época real. Na entrada, se recebe um audio-guia que vai contando a história desta família real, do amor entre os dois e sobre seus filhos, uma história bonita, assim como os interiores dos aposentos.
 



Ao terminar de ver a parte interna, a saída dá para o Jardim Real, também conhecido como Parque de Charlottenburg, aberto ao público por uma entradinha lateral e gratuito. É um jardim bonito, amplo, bem cuidado, com paisagismo estilo inglês e algumas fontes d’agua. Ao final do jardim tem um lado com algumas esculturas e várias espécies nadando por ali, desde patos até cisnes.




Foi ali que presenciamos uma cena muito bonita da viagem, apreciando um senhor berlinense alimentando tranquilamente os passarinhos com pão. Ele se mexia tão devagar e calmamente, que os pássaros ficavam a vontade para comer direto da mão dele. Depois de terminar, o velhinho pegou sua bicicleta com uma sacolinha pendurada e foi embora. Parece simples, mas foi uma cena bonita mesmo, que permaneceu em nossa memória. Junto com ele também resolvemos ir embora e rumar para nosso próximo destino, um antigo Campo de Concentração Alemão, onde os nazistas subjugaram milhares de vítimas, de diversas etnias.

 

Saindo do palácio, fomos até a Estação Central e pegamos um trem que parava em Oranienburg, a cidade onde fica o Campo de Concentração Sachsenhausen. Ao chegar lá, tinha um correio e mini-centro comercial ao lado da estação, e ali nos informaram como chegar até o local de onibus, e também a pé. A cidade é realmente pequena, bem residencial, com casinhas modestas de portão baixo, tudo muito sossegado. Resolvemos ir a pé porque o próximo horário de ônibus iria demorar um bocado, e assim foi. Era meio longe, acredito que uns 2-3Km da estação, mas deu para ir devagar e chegar inteiro lá. Compramos nosso tíquete e entramos no complexo, que hoje é um Memorial-Museu.

 Entrada do Complexo (a casinha bege atrás do muro é recepção e museu)





















Um mapa de todo o o imenso Campo (em bronze)

 Recepção e Museu





















Museu e vitrais contam a história do nazismo e dos campos

 





















Antes da entrada principal do campo, esta casa, onde residiam os guardas alemães






















A Entrada Principal

O local é super amplo, então é importante se guiar pelo mapinha que entregam na recepção, para não se perder. É “dividido” em várias partes, algumas tipo museu mesmo, com objetos expostos, em contraponto com as antigas instalações do Campo de Concentração. Ali não tem guia e nem agito turístico.


 "Arbeit Macht Frei" = O Trabalho Liberta  
(grande farsa- campo de terror fingindo propósitos nobres)


Após a entrada foi erguido um memorial aos prisioneiros e mortos neste Campo:



A escultura principal, representando as diversas etnias ali aprisionadas 


Pouquíssimas pessoas estavam no local além da gente, o que aumentava a sensação de isolamento e solidão da região, extremamente silenciosa. Vimos por lá no máximos umas 10 pessoas, sempre todas quietinhas e em respeito, observando tudo a volta com um mix de tristeza e espanto. Afinal, é uma carga pesada andar por um local onde morreram mais de 30.000 pessoas INOCENTES, de forma torturante e cruel. No total, mais de 200.000 pessoas foram aprisionadas ali, incluindo crianças, mulheres... O Campo de Concentração Sachsenhausen funcionou por 9 anos, de 1936 até 1945. 

Abaixo algumas fotos:

- Museu no Interior do Campo



Fiquei muito impressionada em ver um uniforme original nazista, assim como a roupa dos prisioneiros da época. Não era permitido fotografar, mas não resisti...

- Área especial de acomodação dos prisioneiros políticos soviéticos

- Trincheira de Execução...



ACIMA- Sabe aquela homenagem de colocar uma pedrinha para cada judeu morto, do filme Lista de Schindler? Tinha lá de verdade... bem triste.

- os Fornos...

 Memorial


Alguns dos fornos originais, protegidos neste barracão restaurado
(aqui cedi ao nó na garganta... e saí dali rapidinho) :-(













-Área industrial do campo





















Aqui muitos prisioneiros faziam seu trabalho forçado, incluindo até fundição e fabricação de acessórios militares.

- A Enfermaria

Aqui eles cuidavam dos presioneiros com o maior carinho... ops, confundi. Na real aqui foi onde também fizeram vários "experimentos médicos" com muitos deles, narrados em um filminho assombroso no interior do museu.

 Barracões de enfermaria (ACIMA)
Edifício de "Patologia" (ABAIXO)






- Outros "flashes" do Campo:

 Placas, memoriais e honrarias vindo de diversos países

 
 A segurança: muros altos, cerca elétrica, arame farpado e guarda armada
 
Visitar um Campo de Concentração é uma experiência profunda, que nos leva a momentos de reflexão e de tristeza, ao imaginar tudo que pode ter acontecido por ali. É um passeio diferente de qualquer outro passeio "turístico" que poderíamos fazer, mas também com imenso fundo histórico e cultural. Estar ali é relembrar uma parte importante e sombria da história do mundo, e saímos de lá ainda com mais convicção de que esse tipo de coisa nunca mais pode se repetir. Nenhum preconceito ou forma de discriminação e exclusão leva a coisa boa...


Ah! Atenção para não perder o onibus que leva até a estação de trem quando sair de lá! Isso quase ocorreu com a gente, e por pouco não perdemos o trem de volta para Berlim! Contei esta história toda com as dicas neste post aqui.
 

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Postar um comentário

  1. Me fez lembrar de meu passeio a Aushwitz!

    Beijos,

    Deise

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  2. O que ocorreu em Aushwitz foi muito pior, acho que o passeio deve ser ainda mais "pesado" do que este... Já li sobre a sala com os inúmeros sapatos das crianças, e das tranças de cabelo cortadas a força das mulheres...

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  3. Gostei Simone! Parabéns!

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  4. Deve ser fascianante e ao mesmo tempo angustiante ver de perto toda essa história. Belas fotos e texto.

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  5. Nizinha26/6/11

    Terrível! Não o seu post, mas como me senti ao lê-lo. Contei para vc sobre meu dia em Auschwitz? A visita durou uma manhã, mas meu dia inteiro ficou meio estranho... Passei a tarde sozinha num café em Cracóvia, escrevendo não importa o que. Perdi a vontade de passear naquele dia. É sim um passeio obrigatório para quem gosta de história. Porém, é preciso ter em mente que algumas pessoas podem não ser fortes o bastante para sair dali e tirar fotos sorrindo no próximo ponto turístico.

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  6. É verdade Ni! É um passeio que gera bastante reflexão. Foi nosso último paseio daquele dia, depois voltamos para Berlim e para o hotel, então tivemos o resto da noite para tentar "digerir" o que vimos.

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  7. Gostei muito do seu Blog, parabéns!

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  8. Visitar um campo de concentração foi a melhor experiência que já tive em uma viagem.
    É muito mais triste quando você chega tão perto assim da história e percebe que infelizmente aquilo tudo aconteceu de verdade...

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  9. Anônimo16/10/12

    Acho muito importante , fundamental visitar campos de concentração e/ou museus que retratem histórias que , por respeito aos sobreviventes e as vítimas, merecem tal atitude.
    É triste, foi e é trágico , mas aconteceu ... ( infelizmente ).
    É preciso coragem e muita sensibilidade para tal. O emocional de algumas pessoas n suporta tais visitas, mas para quem consegue ir, vale a pena, pois serve tb como choque de realidade.

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  10. Anônimo10/4/13

    Parabéns. É como viajar no tempo.

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